Afleveringen
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A pátria, em chuteiras, parou para assistir ao sonolento jogo de estreia da selecção da Federação Portuguesa de Futebol. Desconhece-se se os políticos que vestiram patrioteiramente a camisola já a despiram, depois da triste exibição de Ronaldo e Companhia. Enquanto isso, PSD e Chega negociaram, negociaram, negociaram e Ventura, depois das expectativas que criou ao Governo para a aprovação do pacote laboral, tirou o tapete (“Surprise! Surprise!”) a Montenegro. (O programa foi gravado na manhã de sexta-feira, ainda antes do desfecho de mais uma bela cambalhota do Chega.) Tudo isto na semana em que Estados Unidos e Irão assinaram - higienicamente, à distância - um memorando de entendimento para acabar com a guerra e para repor as coisas como elas estavam a 28 de Fevereiro. A pergunta que se impõe: para que serviu a guerra, afinal? Ainda mais uma dúvida: a “grande solidariedade” do diretor geral da PSP com um polícia condenado será descuido ou corporativismo, puro e simples? A fechar, tal como abrimos, com bola, o sócio 12 049 do Benfica (sim, Ricardo Araújo Pereira) faz o balanço de uma época sem títulos
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Esta semana, na estante, temos “Viagens com uma Burra pelas Cevenas”, de Robert Louis Stevenson; “O Vício dos Fundos Europeus”, de Nuno Paalma; “Escritos Políticos”, de Nicolau Maquiavel; e dois volumes de Luiz Pacheco: “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos” e “Ser Livre em Português”
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Zijn er afleveringen die ontbreken?
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No alto da Penaventosa, com vista desafogada sobre o Douro, ergue-se a primeira sede de poder do Porto. A Sé Catedral, iniciada por um bispo de origem francesa de nome D. Hugo, foi, durante 286 anos, o símbolo maior do governo da cidade. Portugal ainda não era nação quando D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, doou o burgo e o couto portucalense à Igreja. As relações dos bispos com a coroa e com a burguesia emergente da cidade sempre foram conturbadas. Coube a D. João I, o "de boa Memória", romper com o poder da Igreja e iniciar um novo período de expansão do Porto para fora das muralhas.
Neste episódio das "Histórias do Porto", o jornalista Carlos Rico conversa com Luís Amaral, especialista em povoamento e organização do território do noroeste da Península Ibérica da Universidade do Porto.
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O carrossel da guerra não pára. Estamos semana, houve troca de bombardeamentos e a habitual promessa de acordo de paz das sextas-feiras, com Trump a dá-lo por garantido e os iranianos a não confirmarem nem desmentirem. Até no caos há padrões. O que fugiu ao padrão foi a explicação da ex-ministra da administração interna sobre o que a levou a demitir-se; em resumo: diz ter percebido que não tinha qualificações para A função. Demorou a perceber, mas talvez leve outros titulares de cargos públicos se sintam inspirados por este exemplo e venham a tirar ilações, oportunamente. Entretanto, começou - sem trégua olímpica - o mundial de futebol com a perspectiva de um duelo Ronaldo - Messi se tudo correr sem surpresas nem sobressaltos. Pode ser que carrossel da bola tire protagonismo por algum tempo ao carrossel da guerra.
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Há uma magna questão a inquietar a época estival que se aproxima: onde vamos poder plantar o chapéu de sol na praia? Outra pergunta que surgiu, de repente, sem que déssemos por ela: como havemos de chamar ao português se deixarmos de lhe poder chamar língua portuguesa? E ainda mais um sobressalto: como manter a compostura nas redes sociais quando se têm responsabilidades públicas? Questões candentes mas que empalidecem, naturalmente, quando se torna necessário redefinir o conceito de cessar-fogo. Trump, no papel de lexicógrafo-chefe, contribuiu esta semana para tornar a definição compatível com aquilo que se está a passar no Médio Oriente. O raio do estreito é que não há maneira de voltar a abrir-se para aliviar o sufoco económico do mundo.
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Esta semana, na estante, temos “Salamaleques”, de Manuel de Novaes Cabral; “Abundância”, de Ezra Klein e Derek Hompson; “Do Sentimento Trágico da Vida nos Homens e nos Povos”, de Miguel de Unamuno; e “Contar uma História”, de John Berger e Susan Sontag.
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Completaram-se três meses da guerra que não ata nem desata; mas o estreito continua entupido e a aflição da economia mundial cresce a cada semana que passa. Nós, por cá, enquanto isso, vamo-nos entretendo com mega-operações do Ministério Público; polémicas em torno do SIRESP à espera que ele volte a ser necessário e a falhar; e com o modo como o Presidente da República tirou o retrato à acção do Governo no rescaldo do comboio de tempestades, deixando-o mal na fotografia. Mas nada bateu em eloquência e azedume a rubrica mensal de Passos Coelho na apresentação de mais um livro. Só lhe faltou dizer quem são os “prostitutos sem carácter” que alvejou, depois de um encontro cheio de sorrisos e cumplicidade com André Ventura
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Esta semana, temos na estante “Israel: o que correu mal com o meu país?”, de Omer Bartov; “Miñán - Irmãozinho”, de Ibrahima Balde e Amets Aerzallus Antia; “Por Vezes é Preciso Trair”, de Kamel Daoud; e “Nevoeiro - Uma investigação”, de Pedro Eiras
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O ministro da segurança interna de Israel decidiu partilhar com o mundo os actos de humilhação que cometeu contra estrangeiros sequestrados em alto mar, em águas internacionais. O presidente dos Estados Unidos obteve, para si e para a sua família, imunidade “para sempre” face a investigações do fisco. Embaraçado com um elogio do chefe da diplomacia norte-americana, o ministro dos negócios estrangeiros português argumenta que a frase não era literal. Nada disto são meros pormenores; alguns exemplos, apenas, de episódios de um mundo em que já nada parece inverosímil. Nem mesmo um Portugal maior, como promete Luís Montenegro. “Um Portugal” não quer dizer que seja este, claro.
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Esta semana, na estante, temos as crónicas de Mário Cláudio para a Antena 2 em “Fósforos Riscados no Vento”; dois livros de BD do francês Bastien Vivès: “O Gosto do Cloro” e “Corto Maltese, O Dia Anterior”; uma “colecção de violências e heresias contra português”, de Manuel Monteiro, sob o título “Em Nome da Língua, Ámen”; e o álbum “Vizinhos”, com argumento de Ana Bárbara Pedrosa e desenhos de Nuno Saraiva.
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Trump nem sequer leu até ao fim a resposta do Irão. A trégua na guerra está em “respiração assistida” e o mundo de respiração suspensa, à espera de um milagre que faça com que o petróleo volte a fluir pelo estreito de Ormuz, evitando um cenário de racionamento, um dia destes. Enquanto isso, Passos Coelho voltou a zurzir Montenegro, recusando as “histórias da carochinha” do João Ratão de São Bento. E o PCP voltou a ser zurzido por ter publicado, a propósito da morte de Carlos Brito, uma mensagem de ‘apesar’, uma espécie de voto de pesar contrariado. Tudo isto na semana em que o primeiro-ministro foi a Fátima acender uma velinha e em que o governo ainda espera um milagre para poder aprovar o pacote laboral.
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Esta semana, temas na estante “Reflexões sobre a Dor”, de Umberto Eco; “Aliados em Guerra”, de Tim Bouverie; “Seis Noites na Acrópole”, de Yórgos Seféris; e “Amor de Perdição - O sublime camiliano”, de Tânia Furtado Moreira.
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Esta semana, temos na estante o “Dicionário Global das Heresias - Teologia, Cultura e Literatura”, coordenado por José Eduardo Franco e Porfírio Pinto; o clássico “Da Influência das Paixões na Felicidade dos Indivíduos e das Nações”, da Madame de Stäel; “Hiper-Política”, de Anton Jäger; e dois livros ilustrados: “Caricaturas”, de Maria Picassó, e “Cartoons do Ano 2025”, de vários autores, sob coordenação de António Antunes.
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Há troca de tiros, mas o cessar-fogo continua em vigor, garante Donald Trump. Até porque Marco Rubio já deu por terminada a operação Fúria Épica. Trump anunciou também a suspensão do projecto de escoltar petroleiro pelo estreito de Ormuz. A ideia durou dois dias. Mais demoradas mas igualmente infrutíferas foram, por cá, as reuniões da Concertação Social. Sem acordo, a proposta do governo para alterar a lei laboral vai agora ser discutida no Parlamento. Ao que tudo indica para ser chumbada. O Chega exigiu como moeda de troca para a aprovação uma diminuição da idade da reforma. Com isso conseguiu indispor boa parte da direita e até Passos Coelho reagiu à ideia de Ventura com rispidez. Ríspido foi também o presidente do Chega relativamente ao ministro da administração interna. Luís Neves não esteve com eufemismos na condenação dos casos de tortura por parte de polícias em duas esquadras de Lisboa, ao que o Ventura considerou que o ministro fomenta uma atitude anti-polícia. Porquê? Por dizer que comportamentos de bandido por parte de homens fardados é intolerável.
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Vai passar a ser necessário, a quem queira fazer humor, ter licença de porte de piada. Emitida por Donald Trump, naturalmente. O presidente norte-americano não a concede ao humorista Jimmy Kimmel. Talvez tenha sido, uma piada, aliás, suspeitam Trump e a porta-voz da Casa Branca, a desencadear o desvario do homicida incompetente que viajou da Califórnia a Washington com a intenção, falhada, de matar gente da administração americana num jantar de gala. Enquanto isso, a guerra continua em modo de pausa. Mas com o estreito de Ormuz duplamente bloqueado não há paz para o preço dos combustíveis. À escala doméstica, o deputado socialista que virou as costas ao presidente da Assembleia da República conseguiu pôr na ordem do dia, apesar da atitude controversa, o tema da transparência na actividade política. E o coro da casa de pessoal do conselho de ministros, a cantar o hino nacional, deu solenidade ao anúncio de uma chuva de milhões, onde há de tudo menos calendário.
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Esta semana, temos na estante uma revista que parece um livro: a Colóquio da Primavera 2026 dedicada a Camões; “Final Cut”, de Charles Burns; “Adagia e Outros Aforismos”, de Wallace Stevens; e uma viagem no tempo à Lisboa do século XX, guiada pelo classicista André Simões, em Lusitânia.
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Donald Trump esteve quase a conseguir um acordo de paz com o Irão, quase a bombardear as infra-estruturas civis iranianas e quase a enviar o vice-presidente para conversações no Paquistão. Mas nada disso aconteceu e o ultimato dado pelo presidente norte-americano ficou uma vez mais sem efeito, apesar da retórica e da testosterona. Embora o estreito de Ormuz – que estava aberto há um mês – continue fechado em consequência da guerra. Enquanto isso, Pedro Nuno Santos regressou ao Parlamento, também ele carregado de testosterona. O alvo foi agora o antigo irmão político Duarte Cordeiro. Só o futuro nos dirá qual dos dois é Abel, qual deles é Caim. Uma coisa é certa: os cartunistas terão bom material se vier a concretizar-se uma disputa socialista entre Carneiro e Cordeiro.
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Esta semana, temos na estante “Diários de Viagem e alguns poemas em prosa”, de Matsuo Bashô; “LX90”, de Joana Stichini Vilela, “Perder o Juízo”, de Ariana Harwicz e “Casa dos Mortos - A PIDE/DGS em Moçambique 1964-1974”, de Maria José Oliveira.
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Haja transparência. Mas como o voto é secreto, os donativos aos partidos passam a ser opacos. A partir de agora deixa de se poder saber de onde vem o dinheiro transferido para as organizações partidárias. O segredo passa a ser a alma do negócio. O que não era segredo para ninguém é que debater com André Ventura não é trocar argumentos, porque, por entre esgares, àpartes e caneladas, se torna difícil levar uma frase até ao fim. Pacheco Pereira desafiou o líder do Chega e houve espectáculo televisivo, sim, mas quem quiser aprender alguma coisa vai ter de procurar noutro lado. Entretanto, a semana trouxe-nos também a revelação de que o suposto anarca, o terrorista incompetente (Deo gratias!) do cocktail molotov contra uma manifestação anti-aborto é militante do PS. Quem acha que o mundo já não nos pode suspreender, terá ficado desiludido. Já não são só os números de Donald Trump (na semana em que viu o amigo Órban ser corrido na Hungria) que ainda conseguem espantar-nos. Embora aquela alusão a Jesus Cristo transformada, numa pirueta digna de um puto da segunda classe, em médico da Cruz Vermelha, seja difícil de igualar. Mas ele há-de superar-se, ó se há-de!
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Nem as convulsões do mundo interrompem as minudências domésticas. Há lugares por preencher no Tribunal Constitucional e o arranjo na dança das cadeiras volta a adiar a resolução do problema para quando houver mais uma vaga disponível. Houve uma promessa do governo de atacar os problemas do Serviço Nacional de Saúde nos primeiros sessenta dias de governação, mas agora, quando já poucos se lembram da promessa e do prazo, chega a confirmação oficial de que não há forma de resolver o drama das listas de espera e que não o melhor é esquecermos a ideia de haver médico de família para todos. Mas há mais: a Igreja Católica decide poupar uns cobres nas reparações às vítimas de abusos sexuais e talvez até o Estado venha a cobrar IRS sobre as indemnizações a que têm direito. Enquanto isso, a humanidade atreve-se pelas profundezas do cosmos, para lá da lua, e o presidente do país mais poderoso do mundo ameaça, sem rodeios, aniquilar não apenas um país, mas uma civilização. Mas pode ser que seja só garganta.
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