Afleveringen
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Durante muito tempo, Sayuri acreditou que amar significava suportar. Foi preciso atravessar a culpa, relacionamentos complicados, a maternidade e o esgotamento para descobrir que o amor de verdade não grita, não controla e não faz alguém esquecer de si.
Ainda criança, ela cresceu tentando expulsar de si os sentimentos que acreditava serem pecado. Entre as orações de domingo e os primeiros apaixonamentos por meninas, carregava uma culpa que ninguém deveria conhecer tão cedo.
Quando descobriu que também gostava de homens, acreditou ter encontrado o caminho para uma vida "normal". Mas os dez anos ao lado do noivo terminaram um mês antes do casamento, deixando para trás não apenas um coração partido, mas uma mulher que já havia perdido a própria autonomia.
Foi a espiritualidade que a fez olhar para dentro e perguntar por que aceitava tão pouco de quem dizia amá-la. Ainda assim, repetiu velhos padrões em outro relacionamento.
Vieram suas duas filhas, o preconceito no trabalho, o pós-parto, as mudanças no corpo e uma rotina marcada por discussões, gritos e solidão. Até entender que não podia convencer ninguém a tratá-la com respeito. Podia apenas escolher sair.
A virada aconteceu quando conheceu Roberta. O encanto foi imediato, mas o que transformou Sayuri não foi a paixão. Foi encontrar alguém que respeitava seus limites, acolhia seus medos e nunca a fazia implorar por consideração. Pela primeira vez, ela percebeu que era desejável, mas, acima de tudo, digna de cuidado.
Hoje, ela sabe que o maior amor da sua vida não foi aprender a amar outra pessoa. Foi aprender a se escolher. Porque relacionamentos podem acabar, mas quem aprende a se colocar como prioridade nunca mais aceita viver onde o afeto precisa disputar espaço com a humilhação.
E, para quem enfrenta esse caminho, ela deixa duas certezas: ninguém atravessa a vida sozinho. Rede de apoio e terapia também são formas de amor.
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Quando era criança, a Monique Evelle sonhava em ter dinheiro por um motivo muito simples: dar um plano de saúde para a mãe. Anos depois, ela conquistou muito mais do que isso: é uma empresária de sucesso, investidora e a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Shark Tank Brasil. Mas com todo esse sucesso, ela descobriu que para muita gente, isso tudo só faria sentido se viesse acompanhado de sofrimento.Monique cresceu na periferia de Salvador acreditando que podia criar uma realidade que ainda não existia. Queria ser professora porque acreditava que a educação mudava vidas.Até ouvir, ainda adolescente, que ninguém vivia de sonho.A frase que poderia ter desanimado ela, fez o contrário: aos 15 anos, ela decidiu que construiria uma trajetória impossível de ser ignorada.Vieram a universidade, sua primeira empresa, o trabalho no Profissão Repórter e, depois, a decisão de voltar ao empreendedorismo. Foi quando entendeu que dinheiro e impacto social não precisavam ocupar lados opostos. Era possível transformar o mundo e prosperar ao mesmo tempo.Mas nem a ascensão apagou o racismo. As pessoas continuam perguntando se o dinheiro é realmente dela, continuam esperando o erro, e acreditando que alguém deve estar por trás das suas conquistas.Foi então que Monique percebeu outra armadilha.Sempre esperavam que ela falasse sobre dor. racismo, resistência. Como se uma mulher preta só pudesse emocionar quando estivesse sangrando.Mas ela decidiu fazer o contrário. Recentemente, escreveu um livro sobre amor. Falou do marido, dos afetos, da vontade de construir uma vida leve. E descobriu que isso incomodava mais do que qualquer denúncia.Porque existe um mundo que aceita mulheres negras fortes, desde que continuem sofrendo, mas a Monique recusou esse papel.Ela não quer provar que merece estar onde chegou porque pessoas pretas não precisam justificar o sucesso pela dor.Também podem vencer pelo sonho, pelo talento e, principalmente, pelo direito de amar em voz alta.
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Zijn er afleveringen die ontbreken?
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Aos 32 anos, Evandro viu sua vida mudar de forma repentina: o cabeleireiro que sonhava em ter o próprio salão passou a depender de cuidados diários após um AVC grave. Mas, para Anderson, o amor que construíram juntos nunca coube dentro de um diagnóstico.
Anderson e Evandro se conheceram pela internet. Em poucos meses já dividiam a mesma casa, os mesmos planos e o sonho de empreender juntos.
Com o passar dos anos, tornaram-se família um para o outro. No segundo semestre de 2023, começaram as dores de cabeça de Evandro.
Eles não sabiam, mas eram sinais de que algo estava errado.
Na segunda-feira de Carnaval de 2024, Anderson foi visitar a família em outra cidade e quando voltou, encontrou Evandro apoiado na pia do banheiro, pedindo ajuda porque já não sentia as pernas. Horas depois, ele estava inconsciente no hospital.
Foram dias de incerteza, até que em um breve momento de esperança, Evandro voltou a falar. E, logo depois, a notícia que mudaria tudo: ele havia sofrido um AVC.
Foram quase cinquenta dias de UTI até que os médicos falaram em cuidados paliativos. Anderson imaginou que estava se despedindo.
Em vez disso, precisou aprender a cuidar. Aprendeu a aspirar a traqueostomia, adaptar a casa e reorganizar toda a vida.
Em meio à rotina do hospital, uma pergunta mal feita atravessou Anderson. Um médico quis saber onde estava a família de Evandro. Por um instante, ele percebeu tudo o que haviam construído juntos, e respondeu que a família estava ali.
Nos seus irmãos, nas cunhadas, na sua mãe que não saía do seu lado, sobretudo na sua presença também. Porque, depois de tantos anos compartilhando a vida, Anderson não era, nem nunca foi um simples companheiro. Ele é a família do Evandro.
Atualmente, o quadro do Evandro é bastante complexo. Ele se comunica por olhares, expressões e pequenos sinais que só quem ama aprende a traduzir. E Anderson aprendeu que cuidar não é abandonar a própria vida, mas encontrar novas formas de compartilhá-la.
Porque o caminho não ficou mais fácil, só ficou mais leve. E, às vezes, o amor não cura, no sentido que a gente acredita que seja a cura, mas permanece. E permanecer, em certos momentos, é o gesto mais bonito que existe.
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Quando perdeu o pai de forma repentina, a Bruna entendeu que o amor deixa marcas que permanecem vivas, mesmo quando a voz de quem amamos já não pode mais ser ouvida.
Pouco tempo antes da perda, Bruna havia passado um feriado ao lado do pai. Voltaram para casa no sábado. No domingo de manhã, ele saiu de moto e não voltou mais. Um acidente interrompeu uma história que ela imaginava ter muito mais capítulos pela frente.
15 depois, ainda mergulhada no luto, ela tinha um show marcado. Subir naquele palco parecia impossível, mas foi justamente ali, tão perto da despedida, que encontrou forças para seguir.
Cantar a fez lembrar por que havia escolhido a música. Desde o início, cada nota carregava um desejo silencioso: orgulhar o pai.
A música sempre foi uma herança de família e seu avô era um de seus maiores mestres. Já muito doente, ele passava os dias entre a cama e as lembranças. Foi durante uma visita despretensiosa que Bruna comentou ter experimentado uma sanfona na casa de um amigo, e seu avô respondeu apontando para um instrumento esquecido na sala.
A partir daquele dia, ela começou a aprender sozinha. Assistia a vídeos, ensaiava algumas notas e levava a novidade para compartilhar com ele. A sanfona virou uma desculpa bonita para estar presente com ele.
Foi então que o pai percebeu algo especial naquele encontro entre neta e avô. Incentivou Bruna a pedir o instrumento para ela. Antes mesmo que ela terminasse a frase, o avô já havia dado sua resposta: para ele, aquela sanfona pertencia a quem a tocava.
Um mês depois, ele partiu.
Hoje, o pai já não está aqui. O avô também não. Outros amigos se foram pelo caminho, alguns de forma tão inesperada quanto o pai. Mas, quando Bruna canta, nenhuma dessas presenças parece distante.
Porque a música se tornou o lugar onde as memórias permanecem vivas, o espaço onde o amor continua encontrando voz e onde ela pode reverenciar aqueles que ajudaram a construir quem ela é.
Bruna acaba de lançar a música “Quase de Dançar”. O clipe reúne relatos de pessoas que já passaram pelo @historiasdeterapia e que ajudam a comprovar o poder transformador da música. Como diz a própria letra: toda canção nasce do que é bom de ouvir por dentro.
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A pandemia quase levou a vida de Amanda. Ela sobreviveu, mas quase perdeu aquilo que mais amava: a sua voz. Para uma cantora, ouvir que nunca mais voltaria a cantar era como perder parte da própria identidade.
Amanda cantava profissionalmente desde os 17 anos quando, em 2020, contraiu Covid-19. As complicações vieram rápido. Asmática, chegou ao hospital com apenas 40% de saturação e já apresentava sinais de confusão mental.
Em pouco tempo, precisou ser entubada. O procedimento deixou uma cicatriz em suas pregas vocais.
A recuperação foi lenta e dolorosa. Ela perdeu peso, precisou usar cadeira de rodas e dependia de ajuda até para tomar banho.
A voz, antes firme, agora saía trêmula, insegura. Como se não bastasse, Amanda perdeu 37% da audição do ouvido esquerdo e passou a enfrentar dificuldades motoras que faziam seu próprio corpo parecer estranho.
Quando decidiu buscar tratamento para voltar a cantar, encontrou alguns profissionais que diziam não saber como ajudá-la. Outros foram além: afirmavam que sua voz jamais voltaria.
Um deles chegou a sugerir que abandonasse a música e procurasse um trabalho como faxineira, num óbvio comentário racista.
Mas ela não deixou barato! Amparada pela fé, pela família e pela fonoaudióloga que acreditou nela, iniciou uma longa reabilitação que devolveram, pouco a pouco, aquilo que parecia perdido.
Primeiro vieram os movimentos. Depois, algumas notas musicais e, finalmente, a voz.
Em 2023, Amanda subiu ao palco do The Voice Brasil. Se inscreveu no programa para celebrar a vida, como alguém que voltou a ficar de pé. Amanda virou as quatro cadeiras e terminou a competição em segundo lugar!
Desde então, cantou dentro e fora do Brasil, integrou projetos ao lado de grandes artistas, como Seu Jorge, e viu seu nome aparecer em lugares que jamais imaginou alcançar durante os dias em que sequer conseguia tomar banho sozinha.
Ela aprendeu que recomeçar nem sempre significa voltar ao que era antes. Às vezes, significa voltar mais forte. Algumas pessoas recebem uma segunda chance, e a Amanda transformou a dela em música.
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A Aline cresceu no morro vendo a mãe se dividir em dois empregos para sustentar três filhos sozinha. Desde muito cedo ela aprendeu que sobreviver vinha antes dos sonhos.
Ela parou de estudar aos 13 anos para trabalhar no farol. Enquanto vendia coisas nos semáforos, aprendia também a se proteger dos perigos que cercavam meninas pobres e negras desde cedo demais.
Mais tarde, já com seu primeiro filho, ela consegue o primeiro emprego como faxineira depois de voltar a estudar pelo EJA, equilibrando os R$410 do salário entre aluguel, fraldas, leite e a vizinha que cuidava do filho pequeno.
Mesmo enfrentando preconceito e assédio, ela seguia trabalhando com dignidade nas faxinas. Fazia questão de sorrir enquanto limpava banheiros, como quem tentava provar para si mesma que nenhum trabalho deveria diminuir alguém.
Quando começou a trabalhar em uma creche, como auxiliar de limpeza, os traumas da infância voltaram. Via crianças negras e atípicas sendo excluídas das rodas, ignoradas pelas professoras, tratadas como invisíveis. Ela não conseguia fingir que não via.
Até que, durante uma reunião de professores, ela sugeriu uma brincadeira para as crianças. A resposta de uma das professoras veio em forma de humilhação: “Cala a boca! Você não tem pedagogia”.
Aquilo doeu fundo na Aline, mas foi também o dia em que ela decidiu que voltaria para aquela escola como professora.
Sem dinheiro para faculdade, virou passista da Vai-Vai para pagar os estudos. Trabalhava como faxineira durante a semana, fazia shows à noite e vendia produtos em feiras nos finais de semana.
Tudo isso enquanto criava o filho sozinha e tentava sobreviver a um relacionamento que repetia diariamente que ela era burra demais para conseguir se formar.
Até que ela conseguiu. Entrou na Universidade Zumbi dos Palmares, se formou em pedagogia e voltou para a mesma creche que foi humilhada. Dessa vez, como professora.
Ali, a Aline entendeu que podia transformar dor em acolhimento, e foi isso que fez dentro das salas de aula.
Mais tarde, após o nascimento do filho com síndrome de Down, precisou deixar a escola novamente, mas não largou a pedagogia e transformou essa nova dor em literatura.
Escreveu livros infantis com protagonismo negro e viu suas obras viajarem o mundo, serem reconhecidas em universidade fora do Brasil.
A faxineira silenciada dentro de uma escola hoje ensina justamente aquilo que mais faltou para ela durante a vida toda: afeto e pertencimento.
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Aos 33 anos, o Vinícius tomou um susto quando o que parecia ser apenas uma crise de gota revelou algo muito maior. Seus rins já não funcionavam como deveriam, e metade da função estava perdida.
Junto com o diagnóstico, veio um medo que ele nunca tinha sentido antes, que era a sensação constante de que podia morrer, já que em determinado momento ele passou a precisar de um transplante de rim.
Por sorte, Vinicius sempre teve muito acolhimento da família e também dos amigos, como o Thiago e a Xaxá.
Foi numa ligação despretensiosa com a Xaxá, que ele ouviu que se fosse preciso, o amigo doaria um rim. Mas isso soou apenas como um apoio moral, até porque até ali ninguém sabia da seriedade da sua doença.
O tempo passou, a doença do Vinicius avançou e ele seguiu em silêncio, carregando a certeza de que não podia pedir um rim pra ninguém.
Até que, numa conversa com os amigos, ele mencionou que precisaria do transplante. E, como se fosse a coisa mais natural do mundo, Thiago e Xaxa compartilharam seus tipos sanguíneos. Como quem diz: “Sou um possível doador”.
Foi nesse momento que tudo mudou.
O que antes era impensável se tornou real, mas aceitar que alguém fizesse isso também doía porque receber um gesto desses carrega uma enorme responsabilidade
Mas os amigos estavam junto com o Vinicius, e não voltariam atrás. Foram fazer os exames para saber qual dos dois era o doador perfeito, e o escolhido foi o Thiago.
Xaxa, apesar de não se tornar doadora, não ficou de fora. Criaram um grupo dos três e ela era a mãezona que sustentava, cuidava e permanecia ali para não deixar as ansiedades consumirem os dois.
Antes da cirurgia, Vinícius, que é ator e músico, sentia como se estivesse prestes a entrar em cena. Ansioso, mas pronto. Sabia que precisava daquilo para continuar.
E deu certo!
E, no fim, não era só um transplante, mas um chamado para o SIM.
O gesto dos amigos, a responsabilidade de Vinicius, tudo isso revela muito sobre amizade, mas também sobre algo muito simples e raro: um ser humano disposto a dar vida a outro.
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A Jéssica foi visitar o irmão na prisão e acabou encontrando ali o homem com quem construiria uma família. Em um lugar marcado pelo julgamento e pela desconfiança, a Jéssica descobriu que algumas pessoas só precisavam de alguém que acreditasse nelas pela primeira vez.
Tudo começou nas visitas ao irmão, preso em Parelheiros. Entre corredores frios, marmitas e olhares baixos, ela conheceu Emerson, o responsável por aquecer e distribuir a comida dos visitantes daquela cela.
Quieto, tímido, sempre desviando o olhar, enquanto os outros falavam apenas o necessário com o Emerson, Jéssica puxava conversa. Ela não tinha nenhuma intenção, a não ser integrá-lo nas visitas, já que ele não recebia nenhuma.
Com o tempo, nasceu uma amizade entre os dois. O Emerson contou sobre os erros que tinha cometido, sobre o abandono que viveu e sobre a vida que nunca tinha aprendido a construir direito.
Jéssica escutava sem romantizar nada. Ela sabia o peso daquele lugar.
Quando o irmão ganhou o semiaberto, ela acreditou que nunca mais pisaria numa cadeira de novo. Mas meses depois recebeu carta do Emerson, que revelou tentar esquecê-la, mas não conseguiu.
Entre meses de troca de cartas, Jéssica era dura e dizia que seria só amizade, até que ele saísse da prisão. Mas aquela troca fez crescer um sentimento improvável.
Até que um dia ela decidiu voltar à prisão apenas para olhar Emerson nos olhos. Foi ali, no meio do pavilhão, cercados pelo preconceito silencioso das pessoas, que os dois se beijaram pela primeira vez.
Mas Jéssica deixou claro: amor nenhum sobreviveria se ele continuasse na vida errada.
Emerson saiu da prisão decidido a recomeçar. Ganhou uma oportunidade de trabalho e encontrou na família dela algo que nunca tinha tido antes: acolhimento.
Anos depois, o sonho que ele descreveu em uma das primeiras cartas virou realidade. Eles tiveram um filho.
Hoje, Jéssica acredita que existem pessoas que não querem mudar, mas sabe também que algumas só precisam de uma segunda chance. Emerson aproveitou a dele. E ela aprendeu que ressocializar alguém não é apagar os erros do passado, mas acreditar que o futuro ainda pode ser diferente.
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Descanso é fundamental pra todo mundo! Foi quando entendeu isso que Letícia mudou não só a própria vida, mas a forma como outras mulheres trabalhavam no seu salão de cabelereiro, assumindo uma jornada 4x3 de trabalho, num momento em que discutimos o fim da escala 6x1.Antes disso, a história da Letycia começa em escassez. De família pobre e criada na periferia da Baixada Santista, ela cresceu rápido, aprendendo a transformar necessidade em possibilidade. Brincava de salão de beleza antes mesmo de saber que aquilo seria seu caminho. Aos 13, com uma prancha e um secador dados pela mãe e pela avó, começou a atender vizinhas. Ia de bicicleta, enfrentava chuva, desconfiança e até abordagem policial. Era uma menina com uma mala, insistindo em ser levada a sério.O primeiro salão nasceu improvisado, no meio da garagem de casa, que inundava quando o canal enchia. Lá tinha um lavatório com balde, um espelho simples, toalhas penduradas em um varão adaptado pelo pai.Com o tempo, as conquistas que pareciam impossíveis começaram a surgir. Até que ela realizou o grande sonho de abrir um salão no centro de Santos, e foi ali que tudo perdeu o sentido também.A sobrecarga chegou silenciosa. Um dia, mesmo com o salão cheio, Letycia se sentia vazia por conta do cansaço extremo. Ali, ela entendeu que nenhum sonho justificava perder a si mesma.Fechou o salão e recomeçou do zero, mas agora com um pensamento diferente.Foi nesse recomeço que veio a virada. Se ela se sentia sobrecarregada, outras mulheres também deveriam estar, e decidiu que suas funcionárias trabalhariam na jornada 4x3. Todo mundo tiraria folha aos domingos, segundas e sextas. Ela sabia que era importante ter tempo para os filhos, para o lazer, para seus relacionamentos. Era importante estar presente na vida. E o resultado não poderia ter sido melhor: no sábado, todas chegavam com mais energia, mais alegria, simpatia e cuidado com as clientes.Porque, para a Letycia, o diferencial nunca foi o café de cortesia, mas o tempo dedicado a escutar cada cliente.Hoje, ao olhar para trás, Letícia reconhece cada etapa: da menina que sonhava mudar de vida à mulher que construiu um negócio com propósito. Porque a vida, sua e de suas funcionárias, não se negocia! Compre o livro do ter.a.pia "A história do outro muda a gente" e se emocione com as histórias : https://amzn.to/3CGZkc5Tenha acesso a histórias e conteúdos exclusivos do canal, seja um apoiador http://apoia.se/historiasdeterapia
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A Nadja atravessou o oceano acreditando que estava indo ao encontro do amor da vida, mas entendeu em outro país, casada com um gringo, que o sonho de princesa que vendem nos filmes, não existe.
Nadja conheceu um polonês que morava na Suíça através de amigos. Foram apenas 17 dias juntos no Brasil, mas o suficiente para que ela acreditasse estar vivendo um conto de fadas. A paixão veio rápida, intensa, dessas que fazem parecer que finalmente tudo encontrou sentido.
Quando ele voltou para a Europa, os dois decidiram que dariam um jeito de ficar juntos. Nadja se preparou, guardou dinheiro e foi para lá. Levou na mala a coragem e a ingenuidade de quem acreditava que o amor bastava.
Mas logo na primeira semana, percebeu que algo não estava certo. As críticas dele sobre seu jeito de falar, de se vestir, de existir começaram a surgir muito rápido. Aos poucos, ela foi sendo colocada no lugar de quem devia agradecer por estar ali, como se ele estivesse fazendo um favor.
E o que começou ruim, piorou. Ele passou a dizer que ela o envergonhava na frente dos seus amigos, controlava seu dinheiro e fazia questão de lembrá-la de que ela estava ali por conta dele.
Nadja foi se apagando, ao mesmo tempo que tentava justificar aquelas violências. Pensava no passado difícil dele, na dor que ele carregava, na ideia de que amar também era suportar.
Afinal, ela cresceu ouvindo que sofrimento era aprendizado e, quanto mais difícil ficava, mais ela acreditava que precisava fazer dar certo.
Até que uma noite, deitada na cama, sentiu uma angústia física. Pensou na menina que um dia tinha sido, a Nadja de franjinha curta, e se perguntou se deixaria aquela criança viver aquilo.
A resposta veio imediata: não.
Nadja pegou suas coisas e voltou ao Brasil sem saber recomeçar, mas sabendo que precisava sobreviver.
Foi aqui que encontrou força nas próprias raízes e ouvindo o pai falar sobre os Charruas, povos indígenas indomáveis do sul do Brasil, ela entendeu algo que ninguém tinha lhe ensinado: ela também era feita dessa resistência.
Antes de voltar pela última vez para pedir a separação, ouviu do pai que gaúcho mora sob as estrelas, livre, e que ela também era assim. Livre e indomável.
Nadja hoje trabalha com mulheres imigrantes e ajuda outras pessoas a saírem de relações abusivas, mostrando que amor não é encontrar um salvador, até porque ninguém veio ao mundo para ser servido, muito menos para servir. Veio para ser livre.
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Patrícia passou anos tentando ser mãe. Perdeu gestações, enfrentou tratamentos e viu o seu sonho se desfazer algumas vezes. Quando tudo parecia ter acabado, ela descobriu que a maternidade não chega do jeito que a gente imagina, mas do jeito que precisa ser.
Desde pequena, Patrícia sonhava em ter filhos. Quando conheceu o companheiro com quem queria dividir a vida, sentiu que tudo finalmente estava se encaixando. Casaram rápido e logo ela engravidou. Tudo dava a entender que o futuro tinha finalmente começado.
Mas a Patrícia perdeu a primeira gestação. Depois veio a segunda, e ela também perdeu. Com as perdas, ela foi atrás de respostas, já que tinha quase 38 anos e o relógio biológico parecia fazer mais barulho que qualquer outra coisa.
Ela tentou a fertilização in vitro, investiu o dinheiro guardado para realizar o sonho de conhecer a Europa na tentativa de realizar outro sonho: ser mãe. Mas não deu certo.
Foi então que sua irmã mais nova doou seus óvulos, num gesto de amor tão grande que a Patrícia decidiu acreditar mais uma vez.
Dessa vez, a gravidez foi progredindo. Saudável, feliz, o quarto estava pronto, o nome do bebê já tinha sido decidido…Até que, no sexto mês, uma dor na perna levou Patrícia ao hospital.
Ela estava com a pressão alta, ficou dias internada e precisou entrar em trabalho de parto prematuro. Infelizmente, Patrícia teve que dar à luz um bebê sem vida.
Ela voltou para casa sem o filho e uma parte dela ficou naquele hospital.
Na varanda de casa, entre lágrimas, ela e o marido falaram pela primeira vez sobre adoção. Não importava como, eles só queriam ser pais.
E foi assim que Felipe chegou.
Seu filho estava no interior do Maranhão, e ela foi até lá buscá-lo. Quando Patrícia segurou aquele recém-nascido pela primeira vez, ela soube, sem explicação, que ele era seu filho. Não era melhor, nem pior, nem diferente. Era a conexão entre mãe e filho.
Três meses depois, enquanto aprendia a ser mãe de Felipe, veio outra surpresa: uma gravidez natural, depois de tudo que ela havia passado.
E dessa vez, sem nenhum susto Thiago nasceu saudável. Dez meses mais novo que o irmão.
Em menos de um ano, Patrícia teve dois filhos. Depois de tantas perdas, a vida resolveu te presentear em dobro. E ela entendeu que milagre, às vezes, não vem como a gente planeja, mas como tem que ser.
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Separadas na infância, Maria, Geisa e Edna se reencontraram por acaso 50 anos depois.
Mesmo crescendo com a ausência umas das outras, as três passaram a vida inteira tentando se encontrar.
Geisa, Maria e Edna nasceram em Minas Gerais, parte de uma família de cinco irmãos que foi desfeita cedo demais. Depois da separação dos pais, foram levadas para São Paulo com a promessa de um recomeço, mas o que veio foi outra ruptura. Ainda pequenas, foram separadas e entregues a diferentes famílias.
Cada uma seguiu um caminho sozinhas.
Geisa lembrava que tinha irmãs, mas não sabia onde elas estavam, mas essa conversa não era aberta dentro de casa com seus pais de criação.
15 anos depois, uma vizinha chegou nela e disse que tinha o endereço de uma das suas irmãs. Era o endereço de Maria e a Geisa, sem saber o que esperar, foi bater naquela porta.
Quando a porta se abriu, o abraço veio antes de qualquer palavra. E, pela primeira vez em muitos anos, ela deixou de se sentir sozinha.
50 depois, o destino ainda guardava mais um reencontro para as irmãs.
Edna apareceu de forma improvável, dentro de um hospital, no meio de um plantão. Na verdade, não foi ela quem apareceu, mas a Bete, que reconheceu na Geisa, que era a enfermeira responsável por sua filha internada, uma semelhança com a Edna, sua amiga.
Em poucos minutos, a vida voltou a se reorganizar 50 anos depois da separação, as irmãs voltavam a se reconhecer.
O encontro foi urgente, intenso como se o tempo perdido precisasse ser compensado ali, naquele instante.
Depois vieram os churrascos, os filhos, os sobrinhos, a construção de uma família que nunca deixou de existir, só estava espalhada.
Agora, entre lembranças e presenças, existe uma esperança de encontrar a quarta irmã, a Nelly.
Mas, dessa vez, a espera é diferente. Ela vem acompanhada de algo que nunca mais faltou: a certeza de que, mesmo separadas, elas sempre pertenceram umas às outras.
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Maria não imaginava que se tornaria mãe de dois meninos que viviam nas ruas de Campinas.
Na região central de Campinas, meninos em situação de rua eram vistos como problema. Eles viviam largados, corriam, roubavam, assustavam quem andava por ali e, por isso, eram expulsos da igreja, das lojas e de qualquer lugar que estivessem perto.
Ninguém queria por perto aquelas crianças, até que o Padre da catedral pediu para um grupo de moças, que iam lá rezar, fazer alguma coisa. Maria começou a se mexer. Ela corria atrás daqueles meninos, oferecia lanche, conversava, criava jogos e desafios.
Num primeiro momento, eles iam desconfiados, mas pelo lanche se aproximavam, e depois voltavam para a rua. Vinham sujos, com fome, com medo de Maria ser do juizado de menores.
Quando ela ganhou a confiança deles, se via cercada por dezenas de crianças na escadaria da catedral, e ali percebeu que não dava mais para voltar atrás. Era preciso dar um jeito para que eles não seguissem num caminho sem acolhimento.
Mas quem acolhe os indesejados vira motivo de julgamentos. Diziam para ela que aqueles moleques que não tinham solução, não tinham conserto. Maria ouvia tudo, mas seguiu o seu coração. Ela sabia que eles não viviam naquelas condições porque queriam, eram apenas crianças.
Junto com seu grupo da igreja, conseguiram dinheiro e alugaram um espaço que, num primeiro momento, oferecia café da manhã e oficinas de trabalho manual. Ela que era costureira da alta sociedade campinense, começou a mexer de artesanato com palha até marcenaria.
A casa se tornou a instituição Casa Maria do Nazaré, que há anos muda a vida de crianças em situação de vulnerabilidade. Mas foi a história de Maria que a instituição mudou pra sempre.
O maior ponto de virada veio quando dois meninos, dos mais atentados, iam até a casa de Maria e assoviavam na janela. Ela pedia para o porteiro liberar a entrada, e eles iam tomar café com ela. Até que um dia ela perguntou se eles gostariam de morar ali com ela, e eles responderam sim, sem nem questionar.
Mais julgamentos vieram, principalmente de um rapaz com quem Maria se relacionava. Ele dizia que ela iria ser roubada, que aqueles moleques iriam levar drogas para a casa dela, e deu um ultimato: ou ele ou os meninos.
Maria escolheu os meninos, entrou na justiça pela guarda dos dois. Ela, que não teve filhos biológicos, se tornou mãe daquelas crianças que todo mundo tinha medo. Ela mostrou para eles o que era o amor de verdade.
Quase 40 anos depois, os dois meninos cresceram. Têm casa, trabalho, família e seguem o legado da mãe ajudando pessoas em vulnerabilidade.
Cresceram sabendo, na pele, que nenhuma criança nasce sem conserto. O que falta, quase sempre, é alguém que não desista no meio do caminho.
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A Camila quase morreu na sua primeira gravidez e pensou que não teria mais filhos, até que engravidou de gêmeos. Quando pensou que o pior já tinha passado, ela encontrou com a morte quando um dos gêmeos foi para a UTI.
Ainda no começo da primeira gravidez, veio a pressão alta, a internação e uma pericardite que a colocou entre a vida e a morte. Os médicos queriam interromper a gestação para salvá-la, mas a Camila não aceitou.
Fez uma promessa e seguiu segurando aquela filha como quem segura o próprio futuro. A bebê nasceu prematura, mas bem.
2 anos depois, mesmo sabendo que uma nova gravidez poderia colocá-la em risco, Camila descobriu que estava esperando gêmeos e que um deles tinha uma questão cardíaca. Com a notícia, o medo seguiu com ela durante a gestação.
Quando os bebês nasceram, parecia que tudo ficaria bem, mas poucas horas depois, o Davi ficou roxo e foi levado para a UTI.
O bebê recebeu alta, até que um dia, a Camila notou o filho sem reação, ele tava tendo uma parada cardíaca. Davi tinha apenas 28 dias. Foram minutos intermináveis até a chegada do socorro.
No hospital, ele teve novas paradas, entrou em coma e depois sofreu um AVC. Mais tarde, os médicos entenderam que o problema no coração explicava tudo.
Por ser algo grave, chamaram a família para se despedir e disseram que, se o bebê sobrevivesse, ele talvez não andasse, não falasse, dependeria de cuidados por toda a vida.
Camila fez então sua segunda promessa, só que ela não pediu que o filho ficasse, pediu apenas que ele não sofresse.
A melhora veio devagar. Primeiro, a atividade cerebral normal. Depois, cada pequeno avanço. Mamar. Respirar. Voltar para casa. A infância de Davi ainda foi cercada de medos e internações, mas não tirou dele aquilo que mais impressiona a mãe: a vontade de viver.
Hoje, Davi com 15 anos, sonha em ser astrônomo. E Camila olha para os três filhos como quem olha para o impossível depois que ele aconteceu.
Ninguém a ensinou ser forte para enfrentar tudo aquilo, mas entre dor, fé, amor e rede de apoio, ela seguiu firme. Porque às vezes a força de uma mãe não nasce da certeza, mas do amor que decide continuar, mesmo tremendo.
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Carol tinha apenas 3 dias de vida quando foi deixada no portão de um prédio. O porteiro ouviu o choro, avisou a família que mais gostava no condomínio e, em poucos minutos, aquele bebê já estava nos braços de quem escolheria amá-la para sempre.
Enquanto o processo de adoção seguia por anos, Carol crescia cercada de amor, mas ainda assim, havia uma ausência que ela não sabia explicar: sua origem, o motivo de ter sido deixada.
Na escola, em casa, no espelho, ela também cresceu tentando entender quem era. Era a única menina negra numa família branca, carregando inseguranças, medo de rejeição e a sensação de não se encaixar por completo.
Mesmo sem saber quase nada sobre a mãe biológica, Carol nunca alimentou raiva. Rezava por ela e pedia que estivesse viva, bem, em paz. Como se, em algum lugar, uma parte sua ainda estivesse com aquela mulher.
Já grande, Carol começou a buscar quem era sua mãe biológica, pois ela tinha um nome, um sobrenome registrados no hospital onde ela nasceu.
Até que, em 2019, ao escrever esse nome de um jeito diferente numa rede social, Carol encontrou um rosto. E, ao olhar aquela foto, sentiu o mundo parar. Era como olhar para si mesma.
Carol encontrou uma amiga em comum com a mulher no Facebook e enviou uma carta contando a história. Do outro lado, veio um áudio e uma verdade guardada por 34 anos. A mulher que a deixou nunca a esqueceu, também sonhava com esse reencontro, também carregava culpa, dor e saudade.
Quando finalmente se abraçaram, no meio de um shopping, foi um abraço sem cobrança, sem mágoa. E, a partir dali a vida, enfim, costurou o que parecia impossível: a filha deixada, a mãe que sofreu, a mãe que criou.
Hoje, as duas mães são amigas, se gostam e fazem parte da mesma história. Porque às vezes o amor não apaga a dor do começo, mas transforma o fim em cura.
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Edison sempre trabalhou com serviço braçal na empresa: cavava buraco, instalava postes nas ruas…Trabalhar com material pesado sempre foi algo normal até o dia em que tentou erguer um vergalhão de ferro para jogar no caminhão e simplesmente não conseguiu.
Um colega menor e mais franzino que ele levantou o material. Edison ficou parado, com a sensação clara de que havia algo errado com o seu corpo.
Num primeiro momento, a desconfiança era de uma fraqueza qualquer, mas ele foi investigar.
Vieram consultas, exames, ele começou a passar de um médico para o outro, e ninguém conseguia dizer o que ele tinha.
A fraqueza, que começou no início de 2025, foi avançando, chegando aos dedos, até que ele perdeu totalmente o movimento dos dois braços.
Sem diagnóstico, o dia a dia dele começou a ficar difícil. Coisas banais como coçar o nariz, segurar o celular, comer, tomar banho se tornaram tarefas que ele precisava de ajuda.
Até que uma médica, com certa suspeita do que o Edison teria, decide buscar uma resposta para ele e sua família e fecha o diagnóstico: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).
O diagnóstico chegou quase um ano depois, em dezembro de 2025, com um misto de medo e alívio. Medo porque o prognóstico é difícil, mas o alívio de nomear aquela fraqueza e iniciar o tratamento correto ajuda Edison e a família a encarar o futuro.
Hoje, Edison segue firme no tratamento, com muita fé e apoio da família e amigos. Às vezes o choro vem por ver todos se esforçarem para auxiliá-lo, mas a felicidade de tê-los em sua vida é insuperável.
Mesmo com o diagnóstico, Edison escolheu o agora. Quando a cabeça corre para o futuro, ele puxa de volta: vive hoje. Um dia de cada vez.
A ELA é uma doença rara que leva à paralisia de forma irreversível devido à degeneração e morte dos neurônios que controlam os músculos responsáveis por atividades diárias1,2.
Se perceber sintomas persistentes, procure orientação médica, nem que seja para tirar dúvidas.
A história do Edison foi contada em parceria com a @daiichisankyobrasil para a campanha @falesobreela. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e institucional, sem finalidade promocional ou comercial. Material destinado ao público geral.
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1. R. H. Brown e A. Al-Chalabi, “Amyotrophic Lateral Sclerosis,” N Engl J Med, 2017
2. Ministério da Saúde. Esclerose Lateral Amiotrófica. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt- br/assuntos/saude-de-a-a- z/e/ela. Acesso em: Fevereiro/2026
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“Eu sou puta!” É assim que Lourdes se apresenta, sem rodeios. Mas sua história não começa num lugar específico, começa quando o mundo decide que a culpa, quase sempre, cai no colo de uma mulher.
Aos 14 anos, Lourdes sofreu abuso sexual de um tio, e o jeito que a família encontrou de lidar com a situação foi expulsando ela de casa, como se ela tivesse culpa.
Foi numa praça que Lourdes foi encontrada por uma pessoa que percebeu que ela estava assustada, sem força para explicar o que tinha acontecido, e a levou até um bordel.
O que surpreende é que Lourdes se sentia mais segura na casa de prostituição do que em casa, dentro da própria família, afinal, ali estava num ambiente em que outras mulheres estavam juntas, todas se ajudando.
No bordel existia união, rotina e uma rede de apoio muito forte. Quando a exploração apertava, elas se organizavam, faziam greve por comida, descanso e dignidade.
Lourdes rodou todo o nordeste brasileiro e passou por várias casas até chegar a Belém, cidade em que ela construiu família, criou 4 filhos e virou avó de 10 netos.
Em nenhum momento ela romantizou nada. Ela foi empurrada para sobreviver do jeito que dava, e hoje é contra que alguém tão jovem precise passar por isso.
Mas Lourdes nunca teve vergonha do que fazia também. Sua profissão sempre alimentou sua família, por isso, ela não mentiu para os filhos sobre de onde vinha o dinheiro, porque para ela a mentira também é uma forma de abandono.
Lourdes sempre lutou pelos direitos das prostitutas, dentro dos bordeis e na política também.
Na primeira reunião do Conselho dos Direitos da Mulher, em Belém, aconselharam que não dissesse que era puta. Lourdes disse mesmo assim e, ao dizer, conseguiu mobilizar o poder público para existirem direitos para quem vive essa realidade: educação, saúde, moradia, creche para os filhos e, acima de tudo, respeito.
No fim, Lourdes mostra que coragem, às vezes, é simplesmente não se esconder, sendo puta ou não.
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Thais Araujo aprendeu cedo a desconfiar de si. Dentro da igreja, tudo que ela sentia parecia ter nome de pecado, e o amor, quando apontava para outra mulher, virava motivo de medo.
Ela tentou por anos caber no que esperavam dela, seguia padrões, orava mais e jejuava.
Foi nessa mesma época que Mayara entrou na vida da Thais. As duas se conheceram na igreja, no grupo musical. Thais com o trombone, Mayara com o violino. Um olhar bastou para nascer aquela vontade de conversar todo dia, como se o mundo ficasse mais leve na presença da outra.
Por anos, elas juraram que seriam só amigas. Até o beijo acontecer. E, com o beijo, veio a culpa, a sensação de erro, o impulso de se esconder.
Elas ficavam em segredo, até Thais não aguentar mais. Na cabeça dela, Mayara virou um “bloqueio” espiritual, algo a ser cortado para que a vida voltasse ao rumo que lhe prometeram. Thais mudou de igreja tentando fugir da própria verdade. Mas o problema não era Mayara.
Quando ofereceram a ela a ideia da “cura gay”, Thais embarcou na falácia. Aos poucos, ela foi perdendo o gosto pelas coisas, a vontade de existir. O gatilho era o fato dela não poder ser quem era.
Após algumas crises seríssimas, Thais conseguiu ajuda psicológica e começou a se escolher. Acabou saindo da igreja porque não se sentia acolhida quando mais precisou.
Ela melhorou aos poucos, aprendeu que podia viver sem se esconder e amar quem quer que fosse.
Com o tempo, até dentro de casa as coisas mudaram. Um dia, a mãe mandou uma mensagem convidando-a para um churrasco e pedindo que levasse a pessoa que amava.
Thais quase não acreditou, a mãe era muito religiosa e tinha o mesmo pensamento das pessoas da igreja. Com essa atitude da mãe, ela guardou essa atitude como quem guarda um milagre concreto: pessoas podem mudar.
10 anos depois do rompimento com Mayara, Thais, que nunca a esqueceu, decidiu entrar em contato com aquele amor do passado. As duas se reencontraram mais maduras, prontas para um amor inteiro.
Thais não quis deixar a vida passar de novo e perguntou se podiam namorar. Mayara disse sim e, dessa vez, ninguém precisou se esconder.
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Quando o Sebá demonstrou que gostava, também, de “coisas de menina”, a Mari fez um acordo com ela mesma: não iria criar “um menino” ou “uma menina”, ela queria criar crianças. Crianças de verdade, com direito a brincar, testar, mudar de ideia, se encantar e se expressar.
Foi assim que Sebastião fez a Mari enxergar uma infância sem rótulos. Um menino que gostava do que o irmão mais velho não gostava, que quis brincar com uma Barbie, que se apaixonou pela ‘Frozen’. E, aos poucos, Mari percebeu que o desafio não era entender o filho, mas enfrentar o mundo tentando reduzir uma criança a uma regra de gênero.
Em casa, ela ouviu frases que parecem “preocupação”, mas vêm carregadas de controle e, por um tempo, ela cedeu aqui e ali, porque estava na casa dos pais. Tirava a boneca, fazia com que ele agisse “como um menino”.
Até que um dia o próprio Sebastião mostrou o tamanho do estrago: ele disse que queria ser uma menina, só para poder usar a fantasia sem ser julgado. Ali, Mari entendeu que não não era uma questão de gênero, mas de diversão e, por isso, não dava mais para negociar a alegria do filho.
Ela decidiu que, dali para frente, brinquedo e roupa seriam apenas isso: brinquedo e roupa. Sem rótulos. E fez o que muita gente tenta evitar: bancou a escolha em voz alta para a família, para a escola e para a internet.
Com o tempo, Sebastião ganhou uma coisa que não tem preço: segurança para se nomear. “Eu sou um menino que gosta disso.”
E com a felicidade do filho, a Mari entendeu que quando uma criança é acolhida, ela não precisa se esconder. Ela só precisa ser criança.
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Essa é uma história que a gente não gostaria de ter quer contar. A mãe da Ale nasceu na roça, primeira filha de dois avós negros presos a um trabalho sem salário, apenas pela promessa de um teto sem conforto.
Ela viu o pai sair para trabalhar e não voltar. Depois viu a mãe sair para tentar um recomeço e achou que também nunca mais a veria.
Quando engravidou, foi expulsa sem nem poder pegar as próprias roupas e partiu para São Paulo com o namorado, levando uma mala só e um enxoval pequeno. Ele saiu dizendo que buscaria um lugar melhor e nunca mais voltou também.
Ela sobreviveu ajudando feirantes em troca de comida, conheceu o pai de Ale, teve filhos, viveu perdas cedo demais e, mesmo sem ter aprendido a ler, amava livros.
A Mãe da Ale costurava enquanto a filha lia em voz alta. Nos fins de semana chuvosos, a casa virava abrigo: o som da máquina, a voz da filha, e uma risada que parecia desafiar a vida.
Aos 75 anos, ela já se confundia às vezes, mas seguia fazendo tudo. Até o dia em que foi para uma excursão com seus amigos de anos da igreja e não voltou para casa.
As pessoas da excursão disseram que na parada, quando todos retornaram para o ônibus, ela não estava mais lá. E essas pessoas deixaram para a família o impossível: saber por onde começar. Não houve ajuda.
As câmeras da parada mostraram a mãe de Ale descendo junto com as outras pessoas, depois se afastando devagar, sendo engolida pela multidão… Depois, nada.
Ale transformou a revolta em busca, principalmente quando encontrou a mãe, que havia sido encontrada 7km de distância o local, atropelada.
A situação foi tão grave que ela não pôde sequer reconhecer o corpo, que havia sido reconhecido pelos peritos pelas digitais.
Para a Ale, a dor maior não foi só a perda, mas a indiferença nessa situação. As pessoas da excursão, amigos de anos da família, sequer foram no enterro. Não rezaram uma Ave Maria.
Hoje, a Ale carrega a mãe nas lembranças, na coragem e na decisão de contar essa história atrás de respostas.
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